Maria Augusta Orofino
ago 29 th, 2018
Consultores-Empresas Nenhum comentário

Disrupção digital: como não ficar para trás com o avanço da tecnologia

A transformação digital alimentada pelos avanços tecnológicos como a inteligência artificial, os dispositivos de Internet das Coisas e as plataformas de serviços é a grande responsável pela disrupção digital que está em andamento. Empresas de comunicação, comércio varejistas, entretenimento e operações financeiras são áreas que sentiram de frente os impactos dessas mudanças e tiveram que se adaptar para continuar competitivas no mercado.

 

Um exemplo clássico é o da Netflix que vive quebrando o próprio record em número de assinantes. A provedora global de filmes e séries foi capaz de remodelar o mercado de entretenimento, contribuindo para o fechamento de centenas de locadoras de vídeo e para a redução no faturamento das bilheterias de cinema. Depois de todas essas mudanças, a empresa vem investindo em produções próprias com o objetivo de reduzir o tempo entre a estreia do filme na tela do cinema e a disponibilidade de visualização on-line. Essa nova dinâmica obrigou mais uma vez os executivos do setor a repensarem seus modelos de negócio.

 

O que podemos concluir diante do caso da Netflix? Nenhuma empresa de nenhum segmento deve se dar ao luxo de ignorar a disrupção digital. Ela está acontecendo de forma exponencial e os líderes não podem mais viver em negação, presos ao status quo e a modelos de negócio que deram certo no passado. É essencial desenvolver um plano que aumente o QI digital do negócio, senão não importa quão bem seja administrado, ele não produzirá resultados que permita competir na área de atuação.

 

O que é a disrupção digital, afinal?

Disrupção digital é o efeito das tecnologias digitais sobre os modelos tradicionais de negócios. Ou seja, é uma mudança na lucratividade de uma empresa de um modelo que já deu certo no passado para um outro que absorvesse  as novas tecnologias e plataformas digitais. Esse conjunto de transformações alteram não apenas os ambientes de negócios, mas também a sociedade e a forma com que as empresas interagem com os clientes.

 

As adaptações que os gestores vêm promovendo vão desde a redução de preços, oferta de serviços e produtos que atendem às necessidades dos clientes de forma inovadora, além de criar processos para utilizar os recursos de forma mais enxuta e atrair para a equipe profissionais mais jovens. Esses novos talentos já nasceram no  ambiente de transformação digital e podem contribuir para uma empresa mais colaborativa, criativa e eficiente.

 

5 dicas para não ficar para trás

O artigo 10 principles for winning the game of digital disruption fala sobre os principais impactos da disrupção digital nas empresas e elenca um passo a passo para os líderes que precisam iniciar o planejamento digital. Confira abaixo:

 

1.Abrace a lógica

Se existem empresas inovadoras revolucionando o seu mercado de atuação é um sinal de que o modelo de negócio é (ou pode se tornar) obsoleto. A responsabilidade de descobrir o porquê e tentar se reinventar é sua. Para tanto, você deve estudar a lógica de atuação dos concorrentes. O que ele faz de diferente? O que deu certo? Como a tecnologia pode deixar a empresa mais competitiva? E o mais importante de tudo: o que pode ser modificado no atual modelo de negócio e o que pode ser feito de diferente para romper com esse padrão?

 

2.Comece agora mesmo

Mova-se. Não pense que a sua empresa está muito para trás porque ela não está. A maioria dos negócios não está se transformando tão rápido quanto a tecnologia exige. No entanto, não espere a disrupção digital impactar seus resultados para começar a se mexer. Inicie agora mesmo!

 

Mas, não comece de forma frenética. É preciso haver um equilíbrio. Lembre-se que você não está buscando soluções rápidas para resolução de um problema e sim planejando uma nova trajetória para a organização. Seja transparente com a sua equipe e conte também para os fornecedores, parceiros e investidores, as mudanças que estão por vir.

 

Reavalie continuamente sua nova abordagem, ajustando-a para refletir as mudanças no comportamento do cliente e no setor. Prototipar novos produtos e serviços e levá-los ao mercado rapidamente, testando-os com clientes reais. Não se esqueça de trazer as melhores ideias para escalar.

 

3.Concentre-se em seu direito de vencer

Para os autores do artigo 10 principles for winning the game of digital disruption, o direito de vencer nada mais é do que a capacidade de enfrentar o desafio encarando-o com uma probabilidade razoável de sucesso. Não confie em um único produto para definir o seu negócio, ao invés disso desenvolva uma identidade forte, destacando principalmente o que a empresa faz de melhor e onde se diferencia dos concorrentes.

 

Além disso, não abandone totalmente seu antigo modelo de negócios. Nas empresas que estão ganhando destaque por se transformar digitalmente, é comum que que os novos e antigos modelos coexistem durante algum tempo. Lembre-de das livrarias, muitos dispositivos para leitura on-line surgiram, inclusive muitas obras são lançadas apenas em formatos de ebook. No entanto, livros físicos continuam sendo vendidos.

 

4.Pense em como os seus clientes se comportarão no futuro

O objetivo neste ponto é seguir a risca a dica de Steve Jobs “Descubra o que os seus clientes querem antes mesmo deles quererem”. Portanto, pense em atender às suas necessidades de maneira mais fundamental. Seja criativo e foque em resolver os problemas e forma simples e, se possível, sem agregar muito custo ao preço final do produto.

 

Grandes empresas orientadas para o consumidor contam com acesso privilegiado aos seus clientes. A empresa global de móveis IKEA, por exemplo, tem um extenso programa de envio de executivos para as residências dos clientes. Eles costumam acolher esses profissionais porque a empresa simplificou o dia a dia dessas pessoas.

 

5.Tenha preços competitivos para impulsionar a demanda

Quase todas as empresas responsáveis por algum tipo de disrupção digital reduziram custos de alguma maneira. Quando você define preços baixos, atrai clientes, amplia seu novo modelo de negócios e força as mudanças que dificultam a concorrência. A Tesla, por exemplo, só começou a competir diretamente com outras montadoras quando lançou um terceiro modelo mais acessível para seu público-alvo. A Uber e a Amazon também estabelecem, algumas vezes, preços com prejuízo em função da escalabilidade de longo prazo e da participação de mercado.

 

É claro que trabalhar com essa premissa exige utilizar a tecnologia de forma mais criativa. Provavelmente, você conta com experiência em redução de custos, mas já experimentou precificar seus produtos ou serviços de forma mais estratégica? A IKEA também tem um bom exemplo para essa questão: o planejamento orçamentário visa a redução de 1,5 a 2% ao ano no preços dos produtos, obrigando assim os responsáveis a descobrir como reduzir custos de forma significada. Além de fidelizar cliente, é um modelo de negócio difícil de ser quebrado pela disrupção digital.

 

A sua empresa está preparada para os impactos da disrupção digital? Vocês têm atuado de forma reativa ou inventiva? Divida conosco nos comentários!

Comentar

Compartilhe a BEEFIND

Compartilhe o conhecimento em suas redes!