Maria Augusta Orofino
maio 22 nd, 2018
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RH do futuro: como a tecnologia pode deixar a gestão de pessoas mais ágil

O que é um RH do futuro? É aquele que acompanha o que está acontecendo no mercado. Temos visto que diversos setores, principalmente os tecnológicos, têm desenvolvido metodologias para aperfeiçoar seus processos. Muitas têm dado resultados surpreendentes e, inclusive, mudaram paradigmas tradicionais de modelos de trabalho. O método agile, bastante conhecido na Tecnologia da Informação (T.I.), é um dos exemplos de que o trabalho rende mais se for pensado de forma criativa, eliminando o que foi consolidado pelos baby boomers, no qual uma pessoa passava sua vida inteira executando a mesma tarefa. Para entender o que acontecia antes, basta pensar numa fábrica: burocracia, atividades engessadas, priorização de contratos e sempre um plano em mente.

 

Como entra o RH do futuro nessa história? Adequando, justamente, as premissas do manifesto ágil, que é a base para o que vem sendo derivado para demais metodologias. Não se trata de um documento extenso, são apenas elencadas quais são as prioridades que contribuem para, neste caso, a otimização do desenvolvimento de softwares.

 

Nisso, mesmo que ainda seja fundamental contar com processos, ferramentas, documentação extensa, negociação de contratos e planos, há uma valorização de outras características. O desenvolvimento ágil de software, que pode ser replicado no RH do futuro, está baseado em: indivíduos e interações, funcionamento mais do que burocracia, colaboração fornecedor-cliente e em respeitar as necessidades de mudanças e não seguir cegamente para um planejamento traçado no começo.

 

No artigo da Harvard Business Review, no qual são destacadas as mudanças para se chegar no RH do futuro, é traçado um panorama desde o cenário ocasionado pela Segunda Guerra, com o predomínio da manufatura. Havia, na ocasião, o entendimento de que precisavam seguir regras pré-definidas e rígidas no recrutamento e desenvolvimento de talentos internos. Já na década de 90, a imprevisibilidade do mercado fez com que a abordagem tradicional tivesse que ser substituída. Mas, ainda assim, deixou resquícios do modelo de trabalho anterior e, por sua vez, na forma como o RH agia. Independentemente da economia, por exemplo, vigorava o planejamento de longo prazo inflexível e avaliações anuais. Como estamos agora? Numa era de inovação.

 

RH do futuro: novas metodologias para inovação

No método Scrum, uma metodologia ágil, são utilizados esquemas de sprints para realizar atividades. A ideia é que as funcionalidades de um projeto sejam divididas em etapas, nas quais a equipe faz uma seleção das atividades que cada um irá colocar em prática numa primeira versão. Diante disso, há reuniões rápidas diárias onde cada um fala o que fez no dia anterior, o que pretende fazer e quais dificuldades está enfrentando. Com isso, a equipe inteira fica a par do que acontece no projeto como um todo. Os sprints têm tempo de duração definido. Ou seja, depois da primeira versão, os membros novamente se reúnem para entender no que falharam, no que acertaram, qual o resultado naquele momento. Nisso, planeja-se o próximo sprint, que pode consistir na otimização de uma tarefa ou em uma nova etapa do processo de criação e desenvolvimento.

 

Esses são alguns dos pontos que o RH do futuro precisará estar atento. As avaliações de desempenho, por exemplo, não são mais planejadas com longos prazos de antecedência, presumindo uma conclusão em um ano, já que tudo ocorre em sprints e por projeto. Por essa razão, o RH precisa fazer uma gestão menos em cima das opiniões de um chefe sobre as metas anuais e mais na interação com diversas pessoas e de forma frequente. Há uma nova maneira de feedback que deve ser replicada, que é aquela que sai dos objetivos da empresa ou do profissional e foca no projeto. Isso faz com que as equipes possam fazer mais, errar mais, saber quais são os erros e corrigi-los com maior rapidez.

 

O foco sai da pessoa e se concentra na equipe, no trabalho colaborativo. Aqui, entra a questão do Scrum, no qual as pessoas do grupo estão acompanhando, avaliando e superando obstáculos. Por isso, mais do que um feedback de cima para baixo, o valor está no que se aprende entre pares e, mais enfaticamente, no que os funcionários transmitem para os líderes e supervisores.

 

Outro conceito relevante para quem está pensando em trazer o RH do futuro para sua realidade atual é contar com tecnologias que sustentem as informações geradas pelos feedbacks mais dinâmicos. Além disso, dentro da área tecnológica, tem sido adotado um formato de agir originário do design, o chamado design thinking. Se nas empresas de softwares tem gerado resultados, é mais uma prova que deve ser englobado pelo RH. O design thinking é feito por quem quer realmente mudar, pois envolve um novo mindset.

 

No design thinking, há liberdade de criação e empatia com quem está na outra ponta, que está usando um serviço ou produto. Não há pressão para resultados, mas liberdade para correr riscos. Como no método ágil, trata-se de agir, errar e tentar mais uma vez – tudo rapidamente. A inovação é o centro: encontrar oportunidades, desenvolvê-las, testá-las, consertar o que for preciso e implementar para o público. O RH do futuro precisa saber como agir diante das mudanças e, mais do que isso, ser igualmente inovador. Um desafio e tanto. Sua empresa está preparada para inovar?

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