Maria Augusta Orofino
dez 19 th, 2018
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RH estratégico: como incluir a gestão de pessoas no programa ágil da empresa

Qual seu primeiro pensamento quando se fala sobre metodologia agile? Se for a respeito de tecnologia, tudo bem, é a associação feita por muitas pessoas. Afinal, o berço da transformação ágil é, realmente, a área tech. O que tem mudado nos últimos tempos é a expansão para outros departamentos, como, por exemplo, quando se pretende adotar um RH estratégico. Se pararmos para analisar, o RH é extremamente decisivo para a implementação do agile, pois é um setor que está em contato com todos os demais e, além disso, cuida diretamente do recrutamento e gerenciamento de produtividade e desempenho das equipes.

 

Jim Highsmith, Chief Agile Strategist, traz com bastante ênfase a questão de que a metodologia ágil engloba toda a organização. Há três pontos que costuma falar em suas palestras: agilidade organizacional, fazendo ágil e sendo ágil. Todos eles estão interligados, pois para ter o agile dentro da empresa é preciso mais do que fazer, é fundamental “ser”. Estar na liderança de um ambiente assim faz com que seja preciso entender a agilidade de um ponto de vista de negócios e criar um mindset sustentável. De acordo com o especialista, ser ágil significa estar preparado para criar e agir diante de mudanças para que, dessa maneira, se consiga manter a lucratividade mesmo em um ambiente turbulento. Por isso, o RH estratégico funciona como um pilar para a transformação ágil.

 

A metodologia agile tem despertado o interessado de mais e mais pessoas. Porém, antes de continuarmos, cabe um parênteses. Um RH estratégico ágil não é apenas a implantação de ferramentas e práticas desassociada da mentalidade. Portanto, é preciso se perguntar se o que está acontecendo é apenas uma intenção de implementação, sem necessariamente dominar os passos para tanto, ou se é entrar de vez na gestão ágil. Se a resposta for o segundo ponto, saiba que você está acompanhado por 94% de 10.000 líderes de negócios e RH de mais de 140 países que relatam que “agilidade e colaboração” são pontos-chave para o sucesso.

 

Em 2001, o movimento ágil decolou dentro da área tech. Agora, chegou a vez do RH estratégico adotar a nova mentalidade. Dentro disso, há três princípios que devem ser observados e adotados:

 

1. O cliente em primeiro lugar

Em um RH estratégico de uma organização ágil, o objetivo está lá na ponta, na entrega de valor ao cliente. No agile, a empresa emprega todos seus recursos para fazer que esse valor dobre, triplique e até mais. Isso inclui a flexibilidade e ajuste de processos, sistemas, incentivos etc. Nisso, o trabalho do RH se torna vinculado ao que se está agregando de valor ao cliente ou usuário.

 

2. Equipes pequenas, multifuncionais e autônomas

Em agile, se costuma pensar em equipes pequenas, multifuncionais e autônomas trabalhando em ciclos curtos, em pequenas atividades e com a presença constante de feedback. Ou seja, os problemas complexos são decompostos em pedaços menores e manipulados por equipes enxutas. Sendo assim, a unidade de trabalho não é mais o profissional, mas a equipe. O RH estratégico deve priorizar a aquisição de talentos que colaborarão e inovarão dentro desse contexto, deixando de lado os ciclos anuais de desempenho.

 

3. Organização em rede

A empresa é uma rede fluida e transparente em que todos colaboram em prol do objetivo de encantar clientes. As equipes ágeis tomam iniciativas e conversam entre si para solucionar problemas comuns. O que vai de encontro ao RH tradicional que, em grande parte, faz com que os colaboradores estejam mais propensos a somente receber ordens e executar suas tarefas repetidamente.

 

RH estratégico: desafios e motivadores

Se a transformação ágil envolve gestão de pessoas e RH estratégico, é preciso encontrar uma forma do RH se tornar protagonista dentro desse processo. Sem ele, não há uma transformação verdadeira. Contudo, há alguns aspectos que precisam ser continuamente avaliados e solucionados quando se fala de agilidade e RH. Entre eles, Daniel de Amaral, Senior Manager, destaca:

 

  • Criação de fluxos de valor vs. silos;
  • Descentralização da tomada de decisão;
  • Liderança da transformação digital;
  • Estabelecimento do senso de urgência;
  • Comunicação da visão;
  • Criação de metas de curto prazo;
  • Manutenção do ritmo;
  • Integração da transformação ágil na cultura organizacional.

 

Por sua vez, além da adoção dos três princípios internos levantados anteriormente, há fatores externos que podem servir para o RH estratégico superar os desafios acima e motivar mudanças. O papel dos consultores em ágil, por exemplo, é um desses. A partir deles, é possível entender as condições certas para transformar (e não apenas fazer), saber como realmente funciona, começar pequeno (e deixar com que se espalhe), construir equipes que personalizarão práticas específicas, alinharão a visão comum entre departamentos, destruirão barreiras e aceleram a transformação ágil.

 

Quer se aprofundar mais sobre as características, impulsionadores e desafios da transformação ágil em um RH estratégico? Dê suas sugestões e converse conosco.

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